Artigos · Lucro por aparelho

Quanto sobra de cada iPhone que você vende?

O preço de venda menos o preço de compra não é o seu lucro. No meio do caminho tem aparelho na troca, manutenção, taxa da maquininha, comissão e brinde. Veja como fazer a conta certa, aparelho por aparelho, e onde ela costuma errar.

Resultado da venda de um iPhone 15 Pro, do valor vendido ao lucro realResultado da venda de um iPhone 15 Pro, do valor vendido ao lucro real

A conta completa

O lucro real de um aparelho vendido é o valor da venda menos tudo o que ele custou para a loja:

Onde a conta costuma errar: o aparelho na troca

Em loja de iPhone, boa parte das vendas tem um aparelho usado como parte do pagamento. O jeito certo de contar é tratar a troca como dois aparelhos:

  1. O aparelho vendido tem como valor de venda o dinheiro recebido mais o valor dado na troca.
  2. O aparelho que entrou na troca vai para o estoque com custo igual ao valor dado por ele. Quando for vendido, terá o próprio lucro.

E um detalhe que muda o resultado: a taxa da maquininha incide só sobre o que passou na maquininha. O valor do aparelho da troca não paga taxa.

Um exemplo calculado

Um iPhone 15 Pro vendido por R$ 5.400. O cliente deu um iPhone 13 na troca, avaliado em R$ 2.100, e passou R$ 3.300 no cartão parcelado. O aparelho tinha custado R$ 4.150 e precisou de uma troca de bateria antes da venda. A comissão do vendedor é 10% do lucro.

Exemplo com números fictícios. A taxa de 8% é só ilustrativa: use a da sua maquininha.
Venda (cartão + troca)R$ 5.400
Custo do aparelho− R$ 4.150
Troca de bateria− R$ 180
Maquininha (8% sobre R$ 3.300, a troca não paga taxa)− R$ 264
Comissão (10% do lucro antes dela)− R$ 80,60
Película e capinha de brinde− R$ 25
Lucro real do aparelhoR$ 700,40

Pela conta simples (venda menos compra), o lucro seria R$ 1.250. A diferença, R$ 549,60, é dinheiro que o dono acha que ganhou e não ganhou. E o iPhone 13 da troca entra no estoque custando R$ 2.100: o lucro dele aparece quando for vendido.

O que fica de fora desse número

O lucro por aparelho não inclui as despesas fixas da loja, como aluguel, salários, contabilidade e sistemas. Elas entram no resultado do mês. Separar as duas coisas é o que permite ver quais modelos realmente pagam a conta.

Numa loja hipotética que vende 40 aparelhos no mês deixando em média R$ 400 cada, as vendas somam R$ 16 mil. Se as despesas do mês somam R$ 14 mil, sobram R$ 2 mil antes de outros ajustes. Faturamento alto não garante resultado alto. Essa é uma visão gerencial simplificada: o lucro líquido contábil depende do fechamento completo, com tributos e critérios corretos.

Onde a conta costuma contar duas vezes

Se você distribuiu o anúncio pelas vendas para comparar campanhas, ele já entrou na conta de cada aparelho. No fechamento do mês, não desconte de novo o mesmo total. O mesmo vale para salário rateado por aparelho e depois lançado inteiro no mês. O jeito mais simples é manter o lucro por aparelho sem ratear despesas fixas e descontá-las só no fechamento.

Também separe resultado de caixa. Comprar dez aparelhos tira dinheiro do caixa, mas o estoque parado não é custo de venda até ser vendido.

Faça a conta com os números da sua loja

Troque os valores pelos de uma venda de verdade. A parte no cartão é só o que passou na maquininha: se teve troca ou Pix, ponha só o resto. A conta é uma simulação gerencial, não o fechamento contábil.

Modelo de comissão

Contribuição desta venda, depois da comissão

R$ 400,00

8,89% da venda

Taxa do cartão
R$ 135,00
Tributos simulados
R$ 180,00
Base antes da comissão
R$ 490,00
Comissão
R$ 90,00
Depois do rateio de fixos
R$ 400,00

Simulação gerencial com números de exemplo. Não é lucro líquido contábil nem folha de pagamento.

Margem e markup são a mesma coisa?

Não. Um aparelho comprado por R$ 3.000 e vendido por R$ 4.000 deixa R$ 1.000 de diferença: 25% sobre a venda (margem) e 33,33% sobre o custo (markup). Nenhum dos dois percentuais, sozinho, inclui os outros gastos da venda. Ao negociar preço ou comissão, diga sempre sobre qual base é o percentual. Para comparar modelos de comissão, veja o artigo de comissão de vendedor.

Referência: Sebrae, custos, margem de contribuição e formação de preço. Os exemplos numéricos desta página são fictícios.

Como o CRM eibenhaus faz essa conta

No CRM, cada aparelho tem a própria ficha pelo IMEI, com o custo de entrada e o histórico de manutenções. Na hora da venda, quem registra a venda marca a forma de pagamento, as parcelas e, se houver, o aparelho da troca. A partir daí:

O Financeiro do mês: o que falta pagar, as saídas do extrato para conferir e a margem por aparelho.O Financeiro do mês: o que falta pagar, as saídas do extrato para conferir e a margem por aparelho.
O Financeiro do mês: o que falta pagar, as saídas do extrato para conferir e a margem por aparelho. Tela do CRM eibenhaus com dados fictícios da loja de exemplo.

Com isso, o Financeiro mostra a margem por modelo: quanto cada modelo deixa depois de tudo, quantos dias leva para vender e quanto cada real investido nele devolve. O custo e o lucro só aparecem para o dono e para quem ele liberar; o vendedor não vê.

Lucro certo começa na conversa certa. Para não perder quem pediu preço e não voltou, veja o processo de follow-up de orçamento.

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Lucro real por iPhone vendido: troca, taxa e comissão | eibenhaus